segunda-feira, 20 de agosto de 2012

RETORNO AO CARIBE - CURAÇAO

Bem, pessoal, recuperado dos problemas de saúde, dia 16 de junho voltei para o Caribe. Voei para Curaçao, onde estava o  Eduardo com o veleiro Amazonas. Alguns dias depois, fomos para Aruba, buscar o Guga Buy que lá estava há seis meses. Ficamos alguns dias em Aruba, na companhia de um casal de amigos de Joinville, O Marcos e a Janinha que já estavam conosco em Curaçao. De lá, voltaram ao Brasil.  Levamos o Guga Buy para Curaçao, aproveitando uma janela de tempo bom, pois a navegação Aruba-Curaçao pega tudo ao contrário, “na cara”, no jargão dos velejadores. Refiro-me ao vento e à corrente. A distância Aruba-Curaçao é de 72 milhas, que fizemos em 14 horas, com a vela mestra rizada e auxiliando com o motor.

Em Curaçao fizemos amizade com o Lindomar, um curaçalenho nacionalista roxo (para ele, as melhores coisas do mundo acontecem ou tiveram origem em Curaçao), boa gente e que nos auxiliou muito na ilha. O apelidamos de google, pois sabia de tudo e conhecia a todos. Qualquer informação ou  problema que tínhamos, telefonávamos ao Lindomar e solução aparecia.

Certo dia, recebemos a honrosa visita do Jean Castro, um especial amigo e grande companheiro, que foi passar uma semana conosco. Mineiro calmo, observador e bom cozinheiro. Já no início da visita foi para a cozinha preparar um almoço.

Como o Jean é consultor na área de construções, geração de energia, etc…, após observar algumas necessidades da ilha mostrou interesse em indicar uma empresa brasileira para fazer  trabalho em Curaçao. Disso, deu ciência ao Lindomar. Não tardou,  pois é rápido  no gatilho, apareceu o Lindomar com um Senador de Curaçao para falar sobre o assunto. Não disse que ele conhece todos?

Olha aí a reunião:
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                             Da esquerda para a direita: Jean, o Senador Dean e Lindomar.



Mas, minha maior satisfação foi receber a visita de minha filha Luciana e dos meus dois netos, o Enzo, filho da Luciana e a Sofia, filha do Eduardo. Ficaram conosco uma semana. Foi uma festa para os pequenos. Nesta semana, vivemos em função dos netos.

O Tedo, um amigão, que trabalha no Amazonas, é instrutor de mergulho. Em vista disso, foi condignamente explorado pela milha filha e meus netos. Ensinou a eles técnicas de mergulho, mergulhou com eles, enfim, foi a alegria dos três. Valeu, Tedo!

Vou ilustrar com fotos os mergulhos.
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                                               A família reunida, aguardando o instrutor.


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                                                 Iniciando a instrução.

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         Enzo mergulhando. (Foto by Tedo)


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          Eduardo, Enzo e Sofia. (Foto by Tedo)


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            Eduardo e Sofia. (Foto by Tedo)


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A Luciana fazendo pose num barco naufragado. (Foto by Tedo)


O que viram nos mergulhos.
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O Sea Aquarium de Curaçao foi uma festa para as crianças (e para os adultos também). Vejam:
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 Os golfinhos amestrados, foram um espetáculo à parte:
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Namorando...
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Saltando...

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Cumprimentando...

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Fazendo perfomance...
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Saltando com a instrutora.
 

 Também os levamos a conhecer algumas praias.
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Um sorvetinho para refrescar.
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Um  brinde à Curaçao!
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DSCF1640No Caribe, existe um peixe muito bonito, chamado Lion Fish, mas cujas extremidades são venenosas.  É este daí:  

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Almoçamos num restaurante da Playa Porto Mari, uma das mais charmosas de Curaçao. Adivinhe a sugestão da garçonete? Lion Fish. Após a garçonete garantir que não haveria problema com o veneno, não resisti (gosto de novidades) e experimentei o prato. Uma delícia sem par, carne muito branca, sabor incomparável. Olha ele aí no prato, acompanhado por uma cerveja belga  muito forte (6º de álcool) .


Bem, amigos, este post dediquei quase que exclusivamente à família. Não reparem. Um pouco de corujice não faz mal.

quarta-feira, 21 de março de 2012

ARUBA I

Gostei de Aruba (110.000 habitantes).Uma ilha bonita, simpática e agradável. Gente bonita circulando, o comércio é bom e bem diversificado, ótimos supermercados, bares e restaurantes. É uma ilha para se ficar bastante tempo. Quando voltar para buscar o Guga Buy pretendo ficar mais tempo.

Nas Antilhas Holandesas, ilhas ABC (Aruba, Bonaire e Curaçao), a língua falada é o papiamento, que é uma mistura de africano com português, que ao longo dos anos foi enriquecida em sua sintaxe e léxico de idiomas como o holandês, espanhol e inglês. Para terem uma idéia de papiamento, vejam um dos cartazes da ilha.
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Mas, além do papiamento, eles falam também inglês, espanhol e holandês. Mas não o português, embora algumas pessoas com as quais falei, mostraram interesse em aprender a língua portuguesa.  

Um passeio pela ilha nos mostrou que a gastronomia  é bem diversificada - comi um ossobuco com risotto supimpa -. Restaurantes com cardápios de comida local e internacional, incluindo a culinárias brasileira, mais especificamente a culinária gaúcha, onde servem churrasco, mas com carne do Texas. Ao menos, é o que se depreende do nome da churrascaria. 
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Abaixo, um ponto da ilha, com um restaurante construído com pedras, com um visual maravilhoso, enfeitado por um farol que chama a atenção pela altura.
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Visitamos o parque nacional da ilha. Já no início, deparamos com estes grandes geradores eólicos.   Segundo nos informou o guarda-parque, os dez geradores abastecem 18% da necessidade da ilha. Ainda segundo ele, pretendem instalar mais vinte, suprindo, assim, toda a energia elétrica necessária.
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O parque possui duas grutas, uma das quais visitamos. Abaixo, algumas imagens dela, com direito a morcegos. Olhando aqueles morcegos pendurados no teto da caverna, lembrei que a maior preocupação deles é ter diarreia enquanto dormem.
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As praias de Aruba são de areia fina e água transparente.
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Estou escrevendo este post em Florianópolis. Agora é esperar minha total recuperação - que está complicada, pois até crise de gota eu tive (alguém me recomendou levar uma esponja no bolso) - e retornar para o Caribe, embarcar no Guga Buy e sair por aqueles mares.

Enquanto isso não ocorre, vou para Gramado, para participar da festa da colheita de uva da Vinicola Ravanello, degustar ótimos vinhos e espumantes.

Até breve!

segunda-feira, 13 de fevereiro de 2012

ARUBA

Bem, amigos, fiquei algum tempo sem postar nada neste blog mas vou explicar o motivo. É que, em Aruba, no dia 08 de dezembro de 2011, ao saltar do Guga Buy para o pier, escorreguei e caí na água, não sem antes tentar me agarrar no pier, o que provocou uma fratura no úmero do braço direito, no ombro (a dor foi imediata e terrível), além de um corte na mão esquerda. Ainda bem que estávamos com um carro alugado e o Eduardo me levou, imediatamente, para o hospital da ilha, onde fui atendido por um médico que suturou o corte (4 pontos) na mão e radiografou o ombro, constatando a fratura e imobilizando o braço com uma tipóia. Com ambos o membros superiores sem ação, a coisa complicou, pela óbvia dificuldade de movimentar o braço e utilizar as mãos. 

De Aruba, a idéia  era levar o Guga Buy para St. Maarten, onde eu ficaria e o Eduardo iria para Trinidad, buscar o Amazonas . O acidente nos fez mudar os planos. Deixamos o Guga Buy no Iate Clube de Aruba, embarquei para o Brasil (a Gol tem vôos diretos de Aruba para Brasília) e o Eduardo foi para Trinidad. Fui para o Rio de Janeiro, pois minha mulher iria passar as festas de fim de ano lá, com nossa filha e eu não queria alterar seus planos.

A viagem não foi das melhores, eu não podia carregar a bagagem, meus movimentos estavam bastante limitados. As garotas da Gol - foram somente garotas que me auxiliaram - foram meus anjos da guarda. Em todos os trechos, elas carregaram minha bagagem, o que me proporcionou mais conforto.

Durante o vôo, logicamente deu vontade de ir ao banheiro. E agora? Peço ajuda? Olhei para a comissária que estava próxima ao banheiro, pensei, pensei, mas não tive coragem. Então fiz tudo sozinho, apesar da dor. Mas fiquei imaginando como seria uma ajuda da comissária. Haveria de ser bem interessante, com certeza! Mas, o pudor falou mais alto.

Bem, este foi o motivo da demora para fazer esta postagem. Ausência completa de condições para digitar.

Agora, vou iniciar um período de fisioterapia para, depois, voltar para o Caribe.

Ah!, ia esquecendo. Quando cai na água, tinha no bolso meu iPhone 4 recém comprado. Já viram, né? Com água salgada, não funcionou mais nem com reza brava, embora eu tenha feito o procedimento recomendado por um técnico: colocar o aparelho no meio de arroz cru. Mas, não resolveu.
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Mas, vamos fazer uma regressão. Ainda em Curaçao, na semana que lá ficamos, chovia a cântaros. Conhecemos um pouco da ilha durante as estiagens.

Suas praias são mais apropriadas para mergulho, mas são, também frequentadas por banhistas. A água é transparente, o que, aliás, é uma característica do mar do Caribe.
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Aí, zarpamos de Curaçao com destino a St. Maarten, pois lá, como já disse acima, eu ficaria no Guga  Buy e o Eduardo iria até Trinidad buscar o Amazonas, para leva-lo também para St. Maarten. A navegação estava bastante confortável, com um vento de través nos empurrando. Lá pelas tantas, ainda dia, eu estava no turno e surgiram, à nossa frente, duas formações muito semelhantes aos nossos pirajás. Talvez sejam, efetivamente pirajás. Um a bombordo, outro a boreste, num ângulo em V de 45º da proa, com um vão central que parecia dar passagem ao Guga Buy sem sofrer a ação deles.  Desliguei o piloto automático e conduzi a embarcação para aquele vão, para tentar escapar daquelas formações. Estava divertido ter o barco na mão, tentando ludibriar aquelas chuvas.

Mas, que nada! Quanto mais nos aproximávamos, mais o vão diminuía. Não é que os lazarentos dos pirajás estavam se juntando? Tive a nítida impressão que estavam me sacaneando. Como já estava próximo deles, não tinha como escapar. Foi o maior banho. Água despejada por dois pirajás, podem imaginar a quantidade.

A partir daí – já havíamos percorrido 120 milhas – o bicho pegou. O mar subiu, vento forte na cara. Naquela situação, além do desconforto, calculamos que levaríamos mais de cinco dias para chegar em St. Maarten e não tínhamos combustível suficiente para todo este tempo. Então, resolvemos voltar, mas, ao invés de retornar para Curaçao, fomos para Aruba porque, além do fato de que ainda não conhecíamos aquela ilha, o ângulo do vento estava melhor. Foi uma decisão acertada.  Aquele vento que nos atrapalhava no rumo inicial, favoreceu muito quando mudamos o rumo para Aruba. Afora isso, a ilha é um local muito aprazível.

Ao chegarmos, procuramos uma marina e, por anterior indicação de amigos, fomos para a Renaissance Marina, neste pier aí (onde me ferrei).

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O complexo da marina oferece de tudo: hotéis, cassinos, restaurantes, bares, tudo a alguns passos de onde estávamos atracados.
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Do atracadouro, tínhamos visão do porto que recebia grandes navios de passageiros. Todos os dias atracava um navio de manhã e zarpava à tardinha.
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Às vezes, atracavam dois navios simultaneamente.
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Ao lado do Guga Buy, estava atracado um mega iate. Olhe só o bote de apoio. Altos luxos...

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Tanto os hospedes do hotel, como os usuários da marina, tinham acesso aos mais diversos serviços que o complexo oferece, como piscina, sauna e outros. Um deles consistia em transportar os usuários, de barco, do hotel até uma ilha ali próximo, que pertence ao complexo. Não tivemos tempo para conhecer essa ilha. Mas, o interessante disso é que o embarque e desembarque de passageiros era feito no interior de um shopping do hotel, onde havia um canal que o ligava ao mar.
                                Olha aí o local.

 Em outra postagem falo mais sobre Aruba.

segunda-feira, 26 de dezembro de 2011

CURAÇAO

O vôo para Curaçao, pela empresa Liat, foi assim:  só podíamos despachar uma bagagem, com até 23 quilos e levar uma bagagem de mão. O problema é que tínhamos muito mais bagagem. Então, foi a ginástica para dar aquele “jeitinho brasileiro”, até com a conivência de uma das atendentes. Movimentamos nossos pertences para caber numa mala para cada um. O Eduardo, como tinha umas camisetas velhas, jogou-as fora para dar espaço. Como eu tinha um aparelho médico, que sempre me acompanha, permitiram que eu levasse dois volumes. Se mantivéssemos o excesso de bagagem, teríamos que pagar US$ 92,00 a mais. Com esta grana, compraríamos todas as camisetas que o Eduardo jogou fora e sobraria dinheiro. Claro que com um pouquinho de exagero.

Ao embarcarmos – era uma aeronave pequena – como não havia espaço para nossa bagagem de mão, colocaram-na, sem nenhum custo, no bagageiro da aeronave. Toda aquela trabalheira, por nada.

Esta era nossa bagagem de mão.
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Na chegada em Curaçao, uma turbulência gerou uma gritaria das mulheres – mulher grita à toa –, mas não passou do susto. Chovia muito na ocasião.

Havíamos alugado um carro por telefone, mas o locador, que deveria estar nos esperando no aeroporto, não apareceu. É que informei que o vôo chegaria às doze e trinta, mas ele entendeu duas e trinta. Enfim, após um telefonema ele apareceu. Deixamos o Claudio no Hyatt Hotel, que fica no mesmo complexo da marina Seru Boca, onde estava o Guga Buy e fomos, temerosos, reencontrar nosso veleiro.

Temerosos, porque o Guga Buy estava há seis meses fechado, na água, e não tínhamos a mínima idéia de como estaria seu interior. O convés estava cheio de poeira, por conta de uma pedreira localizada nas proximidades. Ao entrar no barco, a surpresa. Nenhuma umidade no interior, nenhum mau cheiro. As roupas que ficaram no barco não tinham bolor, charutos que eu havia deixado estavam perfeitos. Foi, realmente, impressionante. É o local ideal, no Caribe, para deixar o barco por longo período. Inclusive, é área livre de furacões.

No dia seguinte à nossa chegada, recebemos a chocante notícia de que o Geraldo, do casal Andy e Galdo, havia falecido num acidente em Trinidad. Consegui falar com a Andy, através do skype, quando ela me informou que um dos mastros do veleiro deles, o Baleeiro, que estava sobre cavaletes numa marina, havia caído sobre fios de alta tensão. vitimando quase instantaneamente o Geraldo. Convivemos com este casal durante alguns dias em Trinidad e esta convivência nos mostrou um casal alegre, apaixonado um pelo outro, ecologistas de boa cepa e amantes do mar. Foi uma perda lamentável. Penso que a Andy terá um trabalhão para superar esta perda.

domingo, 4 de dezembro de 2011

TRINIDAD

A tormentosa  chegada em Trinidad foi descrita no post anterior.

Após colocarmos o Amazonas no pier da Marina CrewsInn, fomos fazer a entrada na imigração e customs. Depois, fomos atrás de mecânico para consertar o motor. Por indicação de um amigo francês, o Olivier, que conhecemos na outra estada em Trinidad, procuramos o mecânico Raymond. Ele foi muito solícito e pareceu ser bastante competente. Foi verificar o motor, constatou que, realmente, entrara água pelo escapamento. Já começou a trabalhar e pediu para o Eduardo comprar bastante coca- cola. Realmente, fazia muito calor em  Trinidad e eram três a trabalhar. Foram oito recipientes de dois litros cada. Mas beber toda aquela coca-cola...?  Beber...? Que nada. O cara colocou toda aquela coca-cola no motor. Disse que aquilo serviria para desengripar. Pois não é que funcionou? Dois dias após, retirou a coca-cola e colocou óleo e o motor virou. Coca-cola, em Trinidad, não é só refrigerante, é high tech!!

Outra tecnologia do criativo mecânico: ao dar partida no motor, para ativar a explosão na admissão, sabem o que utilizou...? Inseticida!! Morro e não vejo tudo!

Enquanto estávamos aguardando o conserto  do motor, convivemos com amigos antigos e fizemos amigos novos. Já na primeira noite em que lá estávamos, para não perder o jeito, fizemos um churrasquinho básico à bordo do Amazonas.

A Andy e o Geraldo (Andy e Galdo), um casal fantástico que mora no Caribe já há algum tempo, trabalham com a empresa Mooring, de fretamento de veleiros, e que havíamos conhecido em St. Maarten, no início do ano, estavam com seu veleiro, Baleeiro, numa marina em Trinidad, fazendo manutenção. Olha eles no Amazonas, num papo legal…
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Já no dia seguinte chegou o veleiro Maruja, dos baianos Hugo e Catarina. Aí a atividade etílico-gastronômica aumentou.

A lida com o motor continuou por alguns dias. O motor girava, mas o motor de partida começou a dar problemas. Em vista disso, o Amazonas continua em Trinidad, até a chegada de peças do Brasil.

Chaguaramas é um centro náutico por excelência, incluido manutenção de grandes embarcações. Em vista disso, às vezes vemos cenas como esta abaixo, que pareceu ser um treinamento para combate a incêndios em plataformas. Repare na força dos jatos d'água.


Então, como o Amazonas iria ficar no estaleiro, o jeito foi ir para Curaçao, ao encontro do Guga Buy, via aérea. Fomos eu, o Eduardo e o Claudio Fischer, proprietário do Amazonas, que foi a Chaguaramas para velejar com seu barco, no trecho Trinidad/Curaçao.

Só que não velejou. Voou!!

domingo, 27 de novembro de 2011

TRAVESSIA NATAL – TRINIDAD

Com bastante atraso, devido a problemas no motor do Amazonas, zarpamos de Natal às 23:30 horas de uma quinta-feira, por conta daquela superstição de que navegador não sai do porto numa sexta-feira, porque dá azar. Estatisticamente isso não é comprovado, mas, por via das dúvidas…

O potente motor do Amazonas (400 HP), agora funcionando, nos levou para fora da barra que, comumente, é bastante complicada, com corrente forte e ondas altas. E, nesta ocasião, não foi diferente.

Quatro ou cinco horas após a saída de Natal, o motor, novamente, desligou. E não ligou mais. Então, o jeito foi levar o barco somente na vela e o vento estava ajudando, levando-o numa velocidade entre 5 e 8 nós.

No segundo dia de navegação, o vento diminuiu sensivelmente. Não possuía a força necessária para empurrar um barco de 40 toneladas. O que ajudava era uma forte corrente a favor. A força desta corrente, que chegava a 3 nós, nos impressionou, pois não é usual esta velocidade. 

No dia 1º de novembro, aproando para Illes de Salut, na Guiana Francesa. às 22;41 hs, numa velocidade de 4.5 nós, cruzamos a linha do equador. A velocidade até que estava alta, pelos padrões que estávamos vivenciando.
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Aproamos para Illes de Salut, pois precisávamos telefonar e lá, sabíamos que que haveria sinal.

Ao cruzarmos por um pesqueiro, próximo à divisa com a Guiana Francesa, conversei pelo rádio com um pescador que  informou que a força daquela corrente, realmente, não é comum. Chamam de “corrente de lua” e ocorre poucas vezes por ano. Efetivamente, a lua estava em quarto-crescente, quase cheia. Informou também que aquela corrente iria para além das guianas, o que, realmente, ocorreu.

Estranho ou não, esta corrente é que salvou a pátria. Sem ela, acho que ainda não teríamos chegado. Se Eolo nos sacaneava, Netuno dava uma mãozinha.

Devido à lentidão do deslocamento, a faina a bordo era tranqüila. O Eduardo e o Dudu atendiam as necessidades do barco e eu cozinhava. Também devido á lentidão, o pão acabou. Então, o Eduardo começou a fazer tapioca. E fazia com maestria nordestina. Tapiocas recheadas com salame, queijo, tomate, presunto... o que estivesse disponível. Os ensinamentos gastronômicos de Lucia, do Veleiro Avoante, foram de grande valia.

O marinheiro do Amazonas era o Dudu, um gaúcho de Porto Alegre muito afeito às tradições gaúchas. Chimarrão e musica gaudéria rolavam a bordo.


Certo dia, soltou a manilha da parte superior da genoa principal. Alguém deveria subir no mastro para a troca. Quem? O Dudu! Pois não é que o rapaz me aparece vestindo uma bombacha para subir no mastro? Olhei para aquela figura sem esconder a curiosidade. Bombacha num veleiro é, no mínimo, estranho. Aí ele explicou que vestia a bombacha para proteção, porque, se escorregasse no mastro, a vestimenta protegeria as “partes”. Taí, ó! Cultura gaúcha aplicável às lidas náuticas.

Este aí é o Dudu, cevando um mate…
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Durante um temporal (foram três ou quatro durante a travessia) a genoa invertida, ao ser içada, rasgou. Para os que não conhecem o Amazonas, explico: na proa, são utilizadas quatro velas, a genoa de proa, uma buja, a genoa invertida e a genoa grande. E a genoa invertida é invertida porque  é armada invertida. Entenderam?

Como o mar estava calmo, e o vento também, o Eduardo aproveitou para costurar a genoa invertida, utilizando uma agulha e fio dental. A costura ficou assim, meio tipo Frankstein, mas resistente. Nada que um silvertape não escondesse!

Olha ele aí costurando…
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No 18º dia de navegação, à tardinha, chegamos à Ilha de Trinidad com este visual do por do sol.


 Programamos para entrar no Golfo de Pária pela Boca de Huevos, que é uma das três entradas para o golfo. É essa daí…DSCF1324

Quem disse que dava para entrar? Com vento insuficiente a favor e corrente contrária, devido à maré, ficamos parados. O veleiro ficou aproado para a Boca mas não andava. O vento empurrava e a maré segurava. O speed marcava 0/0,5,  às vezes 1 nó. Navios, ferry-boats e outras embarcações saindo pela boca e nós ali parados. 


Acendíamos as luzes dos mastros para iluminar as velas para dar mais visibilidade ao veleiro. Um navio que saía estava no nosso rumo. Chamei pelo rádio e expliquei que a embarcação estava sem controle, então ele desviou. Foi assustador. Ou, como dizem os gaúchos, foi um “cagasso”. (não sei se com dois ss ou ç, mas foi mesmo!)

E, falando em gaúcho, lá pelas tantas deu fome no pessoal, então o Dudu, aquele da bombacha, foi para o fogão fazer tapioca. Um gaúcho de CTG, daqueles que só comem costela gorda e picanha, fazendo tapioca!!! Ficamos esperando para ver no que dava. E não é que o gaudério acertou? Isso que não fez o curso de gastronomia nordestina com a Lúcia.


Sugerimos que ele, na próxima Semana Farroupilha, instale uma tenda para vender tapioca em Porto Alegre. 

Olha ele aí manejando a tapioca…sem as bombachas…
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Lá pelas tantas, fui dormir um pouco. Quando amanheceu, fui acordado pelo Eduardo que berrava: entramos…entramos…Levantei e vi uma cena fantástica. O Eduardo e o Dudu colocaram o bote de apoio na água – com motor de 15 hp – e o Dudu, pilotando o bote, rebocava as 40 toneladas do Amazonas. E deu certo. A corrente já não era contrária, pois a maré estava mudando e andávamos a 1,5/ 2 nós. Mas andávamos para a frente.


Olha aí o reboque…
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Quando já estávamos no Golfo de Pária,  mar calmo, o bote foi amarrado no costado do Amazonas, o que proporcionava melhor manobrabilidade. 
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Assim conseguimos chegar em Chaguaramas e colocar o veleiro numa poita.

Amazonas apoitado, foi uma explosão de alegria. Extravasamos! 


Vale aqui fazer uma referência ao Veleiro Amazonas. Todos os transtornos pelos quais passamos, devido a falta de motor e de vento, foram compensados pelo conforto da embarcação. Suas quatro suítes, seu amplo salão, sua bem montada cozinha, com freezer fogão de quatro bocas e duas geladeiras, ar condicionado em todos os cômodos, funcionando graças a um potente gerador, nos proporcionaram grande conforto. Uma cabine interna de comando, com grande área envidraçada, nos permitia perfeita visão e protegia da chuva. É aquele tipo de veleiro que lamentamos quando temos que desembarcar. É, realmente, um sonho de consumo. 




quarta-feira, 16 de novembro de 2011

RETORNANDO AO CARIBE. – NATAL.

10/10/2011
Hoje iniciei o retorno ao Caribe, mais precisamente para Curaçao, onde está o Guga Buy. Embarquei em Florianópolis num vôo para Natal, onde estava o Eduardo me aguardando. O Eduardo foi contratado pelo proprietário do  Amazonas III, para levar o veleiro até o Caribe, justamente para Curaçao. Então, ao invés de eu ir direto para Curaçao por via aérea, resolvi acompanhar o Eduardo e ajuda-lo na travessia e, também, para curtir uma navegação num veleiro de 74 pés. Que, aliás, é bem interessante.

O vôo para Natal teve uma curiosidade. De São Paulo para Natal, a aeronave foi comandada por uma mulher. Eu nunca havia voado em aeronave comandada por mulher. Pedi para fotografa-la e, após o pouso em Natal, ela concordou, com a condição de que fosse fotografada ao meu lado. Concordei, todo exibido…! A Comandante Fernanda, uma linda jovem, é filha de um velejador que está dando a volta ao mundo. Já descobrimos algo em comum: o apreço pela vela. Mostrou-se muito habilidosa na condução da aeronave, (claro! senão não seria comandante) pois foi um vôo muito tranquilo, notava-se, claramente, que as turbulências eram amenizadas.
Olha ela aí…

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Em Natal, o Eduardo me aguardava no aeroporto com um carro alugado. No  caminho para o Iate Clube do Natal, li meus e-mails no iPhone e lá já estava um convite do amigo Nelson, do veleiro Avoante, de Natal, para participar, à noite, do “café dos velejadores”. É que, nas segundas-feiras o Iate Clube está fechado e, para evitar a lugubridade de um clube fechado, os velejadores locais, mais os que estão de passagem, reúnem-se à tardinha para um café, onde cada um leva algum quitute. Aí, vira festa. E, todas as quartas-feiras, ocorre o encontro de velejadores, quando, geralmente, alguém profere alguma palestra. Depois, comer e beber.
As fotos abaixo foram surrupiadas do blog do Avoasnte
café da segundona (12)

Falando em festa, o Iate Clube do Natal é um caso à parte neste item. Todo santo dia tem festas,  - ou reuniões etílico-gastronômicas, se preferirem, -  sempre capitaneadas, ou incentivadas, pelo casal  Nelson e Lucia, do Avoante. Os velejadores que lá estão de passagem unem-se aos velejadores locais e, dá-lhe comer e beber. Ficamos no clube, por conta de problemas no motor do Amazonas, até dia 27 de outubro.

Para terem uma idéia da quantidade e diversidade gastronômica que foi praticada, nós, do veleiro Amazonas, fizemos um costelão, a Lucia do veleiro Avoante fez paçoca com feijão verde, a baiana Catarina, do veleiro Maruja, fez caruru com vatapá, a paulista Paula, do veleiro Andante, fez bolinhos de bacalhau numa noite e seu marido Fernando, bacalhau ao forno em outra noite, o capixaba Franco, do veleiro Wa Wa Too, fez um bobó de camarão.
costela gaucha (26)noite baiana (8)
bolinho de bacalhau do andante (6)

O casal Elder Monteiro e Dulce, diletos amigos, organizaram uma festa para nossa despedida, na sua casa. Nos chamam, a mim e meu filho Eduardo, de Zanellão e Zanellinha. Chegando lá, deparamos com uma farta mesa de quitutes, sobressaindo-se um pernil defumado, regados a uma diversidade etílica de causar inveja: espumantes, vinhos, cachaças, cervejas, até água e refrigerantes… Ah!, e um indefectível charuto, pois o Elder também é do ramo.
Uma banda de um sobrinho do Elder tocou a noite toda. Maior festa!!!

E eu, terminando de convalescer de um problema de saúde. Dane-se!!

Com este clima, não é fácil sair de Natal. Mas, como nosso tempo e nosso destino já estavam definidos e estávamos atrasados, quando o motor do Amazonas funcionou  levantamos âncora, não sem uma tristeza invadindo nossos corações.