20/fev/2011
Chegamos na França. Sim, Martinica é França. E, digam que não, para ver a raivosa reação dos habitantes da Martinica. É tão França que lá tem até Galerias Lafayette.
A velejada foi ótima, com vento de 15 nós e mar de almirante. Ancoramos em Port Marin, nas imediações da Marina Le Marin, próximo do Luthier, em cuja companhia fizemos esta travessia. Os demais veleiros, Bulimundo e Flyer ficaram mais tempo em Santa Lucia. Mas, o vento que era ótimo durante a velejada, ficou bravo de repente e aumentou para cerca de 25 nós, dificultando a ancoragem.
Barcos devidamente ancorados, desembarcamos para conhecer Port Marin e fazer a imigração. Era domingo. Salvo alguns bares ou restaurantes, tudo fechado, inclusive a aduana.
Dia seguinte, fomos dar entrada na aduana. Tudo muito fácil. Preenche-se um formulário no computador deles, imprime-se e o oficial carimba a via impressa e nos devolve. O passaporte não é carimbado, embora a entrada na aduana valha, também, como imigração.
Fomos de carona no bote do Luthier, pois o rotor no nosso motor de popa, novamente quebrou.
Ao sair da imigração, encontramos o casal Alain, francês e Márcia, paulistana que conhecemos na Refeno de 2008. Já os havíamos encontrado em Tobago Cays, dias atrás. O Alain nos ajudou, porque é francês, a procurar um rotor. Não conseguimos nada. Este tipo de motor não é mais fabricado e não existem peças para ele.
À tarde, fomos até o Carrefour, onde comprei vinho Font Caillou, a 3,69 euros, Chateau Barrail Meyney, safra 2009, a 5,14 euros e Mouton Cadet a 12,95 euros.
Como não encontramos o rotor e estávamos muito longe para remar. ancoramos mais próximo da terra.
A falta de motor no bote nos dificultou um pouco. Tentamos conseguir uma vaga na marina Le Marin, sem sucesso. O Alain nos auxiliou e, via rádio, chamou diversas vezes. Pediam para ligar mais tarde. Ao ligar novamente, nem sequer atendiam o rádio. Segundo informações, a marina cresceu muito, mas o crescimento não foi acompanhado no sentido organizacional.
À noite começou um vento forte, que prometia continuar.
Dia seguinte, o vento, efetivamente, continuou forte. Quando estávamos em terra, tanto o Guga Buy quanto o Luthier “garraram” (‘garrar’ significa que a âncora correu, não segurou o barco devido ao vento forte), mas sem sofrer nem provocar nenhum dano, apesar da grande quantidade de embarcações ancoradas.
Em terra, fomos caminhar em Port Marin, que possui um mercado náutico bastante grande, mas os preços dos produtos são muito altos. Comprar algo lá, só na emergência. O Eduardo, mais tarde, conseguiu um rotor para o motor de popa, não original mas o tamanho serviu, ao preço de 32 euros.
Olha aí uma vista do local de ancoragem.
Quando jantamos a bordo do Luthier, prometi fazer um risotto “a la milanesa”, para retribuir a gentileza, para o que, precisava de arroz arbório. No Carrefour não encontrei. Nem conheciam. Encontrei o arroz num outro supermercado, o Leader Price e, à noite, fiz o prometido risotto, convidando para o ágape, além do Dorival e Catarina. o Alain e a Márcia. Rolou um papo legal, regado com vinho (francês e chileno).
No dia seguinte, o vento continuava forte, incomodando. Resolvemos ir para outro local ali próximo, a Baía Sainte Anne. Um local pequeno, agradável, simpático e mais protegido.
Caminhando, encontramos uma praia pequena, mas bem frequentada, onde haviam muitos bares e restaurantes, inclusive um Club Med
Aí conhecemos o estilo francês de freqüentar a praia. As pessoas chegavam de carro e, na praia, sem qualquer constrangimento, trocavam a roupa que vestiam pela roupa de banho. As mulheres vestiam-se da maneira mais diversa possível: algumas vestidas demais, outras nem tanto. O top less rolava solto. Claro que não vou publicar neste blog todas as cenas que cliquei. Et voilá. Vive le France.
À tardinha, um por do sol magnífico.
E o vento continuava acelerado, mas naquela baía não incomodava muito, pois, como disse, era bem protegida.
Dia seguinte, o casal Alain e Márcia também foram para Sainte Anne. À noite, nos convidaram, bem como o Dorival e a Catarina, para jantar em seu veleiro. A Márcia dizia que não sabia cozinhar, mas fez dois pratos - entrada e principal - de profissional. Arrematou com uma tarte tatin. (torta de maçã)
O veleiro do Alain é um Beneteau 47.7. Espaçoso e muito confortável.
É esse aí,
Todas as anses (enseadas), como, de resto, todas as baias que paramos, eram dotadas de dingue dock, local para amarrar os botes para desembarcar. Lá, em Sainte Anne, este era o dingue dock, que as pessoas aproveitavam para, também, ver e fotografar o por do sol.
E o vento continuava . Rajadas de 30 nós.
Na manhã seguinte, mesmo com vento forte, rajadas de 35 nós, saímos de Sainte Anne e fomos para Anse D'Arlet, uma vila também simpática. Até agora, à exceção de Kingstown, capítal de St.Vincent, todos os locais onde paramos foram agradáveis. Ancoramos defronte uma igreja, das que anunciam as horas com o sino. Quando conseguimos ancorar - a tença não era boa - soaram doze badaladas. E o vento continuava, sem tréguas.
O Eduardo foi pilotar o fogão e fez um spaghetti à carbonara. Coloquei na geladeira, para refrescar, um Montes Alpha.
Após o almoço, fomos para Grande Anse D'Arlet. Haviam muitos veleiros, Ancoramos próximo ao píer de desembarque e, à tardinha, curtimos este por do sol.
No dia seguinte, saímos em direção a Fort de France, a capital da Martinica. Dormimos em Anse Mitan, cerca de 3 milhas de Fort de France. Nos barcos ao redor, a mulherada bem à vontade. Uma delas, num catamarã, estava pilotando uma churrasqueira, somente com a parte inferior de um diminuto biquini. Em outro veleiro, outra mulher, vestida de forma igual, fazia as lides do barco. Ambas jovens e bonitas. Não dava para não olhar.
Ao meio dia, fizemos uma costela de gado angus, do Texas, daquelas compradas em Trinidad, no forno, acompanhada do que sobrou da garrafa de Montes Alpha.
Depois, um charuto e uma merecida soneca...até às 19:00 horas, que ninguém é de ferro.
Na manhã seguinte, rumamos para Fort de France. O vento continuava implacável. Chegou a 35 nós, na rajada.
Ancoramos ao lado do forte onde ancoram todos os veleiros que lá chegam, local bastante abrigado. Após a segunda tentativa, a ancoragem foi bem sucedida. Desembarcamos e fomos conhecer a cidade. Começamos caminhando pela periferia da cidade, à procura de uma loja náutica. Não sentimos nenhum perigo, as pessoas são bastante amistosas. Fomos num bar e restaurante que tinha internet, Cyber Deliss, comemos uma salada italiana e, por conta disso, a internet foi gratuita.
Após o almoço, continuamos caminhando pela cidade e, numa barbearia, dessas de estilo antigo, cortei o cabelo que já estava bastante crescido e que não quis cortar em Santa Lucia. O barbeiro da Martinica, mandou bem.
Quase sai de lá careca, pois pedi para cortar somente os cabelos brancos.
Vimos uma loja que nos lembrou muito Floripa. E é de calçados também. Os que são de Florianópolis conhecem a Carioca Calçados. Claro que, esteticamente, nada a ver.
Quando o Bulimundo chegou, como o John, seu comandante, precisava viajar para a China, alugou um carro e fomos procurar uma marina para ele deixar o veleiro. Conseguido o objetivo, paramos num Carrefour, para comprar carne, pois à noite iria rolar um churrasco a bordo do catamarã Fat Boy, do Nuno e da Patrícia, brasileiros. A carne comprada estava estragada, cheirando a podre, o que só percebemos após retirar da embalagem. Jogamos fora. O que salvou foi uma galinha que a Miriam, do Flyer, tinha a bordo.
Dia seguinte, o John resolveu levar seu veleiro até Sint Maarten, para deixa-lo numa marina lá, quqndo fosse para a China. Como estava sozinho, resolvemos acompanha-lo.
Paramos, em Saint Pierre, ainda na ilha de Martinica, aos pés de um vulcão inativo, para dormir.
Esta cidade já foi destruída pelo vulcão agora inativo. Mas, ainda restaram seqüelas nas casas.
Mesmo assim, a cidade é bastante simpática, bem como seus habitantes. A maioria nos cumprimentava nasa ruas. Fomos num barzinho, onde as mesas se localizavam no outro lado da rua. A garçonete, para servir os clientes, atravessava a rua, que possuía razoável trafego de veículos.
Aí estamos esperando vaga nas mesas.
À noite, o mar balançou bastante. Não consegui dormir direito.
Na manhã seguinte saímos cedo, cerca de 05:00 horas, passamos pela ilha de Dominica sem parar e fomos para Iles des Saints.
Iles de Saints é um local marcante, bonito, uma vila com poucas ruas. Estava ancorado lá um navio a vela, utilizado para passeios turísticos. Acho que as velas são enfeite. Mas o barco é bonito.
A água era muito transparente. Em qualquer baía das ilhas que formavam o arquipélago, haviam veleiros ancorados.
Aliás, é característica do Caribe. Não vimos nenhuma enseada sem veleiros ancorados, em todas as ilhas.
Neste ambiente, dormimos um sono tranquilo e reparador. O leve balanço do mar ajudou bastante.